Quando a casa escuta as crianças
O ponto de partida não foi uma tendência nem um catálogo, mas uma ideia simples e poderosa trazida pela mãe: criar uma plataforma tipo árvore, onde os seus dois filhos pudessem subir, brincar e gastar energia juntos. A partir daí, o quarto deixou de ser apenas um espaço para dormir e passou a ser um território de aventura quotidiana, pensado para crianças entre os 4 e os 8 anos, cheias de movimento, cumplicidade e imaginação.
O desafio era claro: como transformar essa ideia lúdica num ambiente equilibrado, funcional e visualmente sofisticado, sem perder o controlo do espaço nem da rotina familiar?
Desenvolvimento — o espaço como narrativa
Tal como numa boa história, tudo neste quarto gira em torno de um elemento central: a plataforma elevada, inspirada numa casa na árvore. É ela que organiza o espaço, define percursos e cria um ponto de encontro natural entre os dois irmãos.
As camas, desenhadas à medida, posicionam-se simetricamente de cada lado da escada que conduz à plataforma. Entre elas, uma estante central funciona como mesa de cabeceira dupla: dividida de forma subtil, oferece a cada criança o seu território e garante aquela privacidade essencial mesmo em partilha.
O desenho das camas foge ao óbvio: estofadas, com volumes suaves que evocam nuvens, introduzem uma camada de conforto visual e táctil. Não são apenas camas; são elementos cenográficos que equilibram a energia do brincar com a serenidade do descanso.
E se as camas são nuvens, o teto transforma-se naturalmente em céu. Sobre elas, nuvens suspensas com pequenos pontos de LED criam uma iluminação delicada, quase poética, como se o quarto tivesse o seu próprio céu estrelado, uma solução que alia conforto noturno a um imaginário infantil cuidadosamente construído.
A floresta ganha vida
A parede onde a plataforma está fixa é o coração emocional do projeto. Uma floresta pintada à mão percorre toda a extensão, dando profundidade, textura e narrativa ao espaço. Não é um papel de parede repetitivo, mas uma composição artística única, que cresce com o olhar da criança e nunca se esgota.
A paleta cromática reforça este conceito: verdes suaves nas paredes e na estrutura, combinados com tons de cinzento contemporâneos nas camas, cortinados e na banqueta. O resultado é um equilíbrio entre fantasia e sofisticação, um quarto infantil que não infantiliza em excesso e que pode evoluir ao longo dos anos.
A banqueta, estofada e integrada no desenho do quarto, resolve um problema prático com elegância: sentar, calçar sapatos, guardar brinquedos. O compartimento interior com caixas facilita a arrumação autónoma das crianças e, de forma quase invisível, simplifica o dia-a-dia da mãe.
Design que educa, acolhe e acompanha
Este quarto não foi desenhado apenas para hoje, mas para acompanhar uma fase inteira da infância. É um espaço que estimula o movimento, promove a partilha, respeita a individualidade e ensina, sem palavras, noções de ordem, pertença e autonomia.
Quando o design de interiores parte de uma ideia emocional (neste caso, uma casa na árvore) e é desenvolvido com rigor técnico e sensibilidade estética, o resultado vai muito além da decoração. Torna-se uma experiência.
Se acredita que os espaços onde as crianças crescem devem ser tão bem pensados quanto qualquer outro ambiente da casa, talvez esteja na altura de repensar o que um quarto infantil pode ser.
Na Liv’in, desenhamos espaços que contam histórias e crescem com quem os habita. Fale connosco e transforme ideias em ambientes com significado.

